É comum que os pais observem diferenças no desenvolvimento do filho e se perguntem se aquele comportamento faz parte da infância ou merece uma avaliação mais cuidadosa. Nesses momentos, a triagem de autismo com pediatra é um passo importante para compreender o desenvolvimento da criança e identificar, quando necessário, a necessidade de uma investigação mais aprofundada.
A triagem não tem o objetivo de confirmar ou excluir um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma única consulta. Seu papel é reconhecer sinais que indiquem a necessidade de acompanhamento e intervenção precoces.
O que o pediatra observa durante a consulta?
Além do crescimento e da saúde física, o pediatra acompanha o desenvolvimento infantil. Durante a consulta, observa como a criança se comunica, interage, brinca, responde ao nome, mantém contato visual, utiliza gestos, demonstra interesse pelas pessoas e reage às mudanças da rotina.
Os pais também são convidados a relatar como a criança se comporta em casa, quando surgiram as primeiras palavras, como é a interação com outras crianças e se houve alguma perda de habilidades já adquiridas. Essas informações são fundamentais para avaliar se o desenvolvimento está dentro do esperado.
Quais são os principais sinais de autismo?
Os sinais de autismo variam de uma criança para outra e, isoladamente, não confirmam o diagnóstico. Entre os comportamentos que podem merecer investigação estão atraso na fala, pouca comunicação por gestos, dificuldade para compartilhar interesses, brincadeiras repetitivas, resistência intensa a mudanças, interesses muito restritos e respostas incomuns a sons, texturas ou outros estímulos.
Em alguns casos, os primeiros sinais podem aparecer ainda no primeiro ou segundo ano de vida. Em outros, tornam-se mais evidentes à medida que as demandas sociais aumentam.
Como é feita a triagem?
Além da avaliação clínica, o pediatra pode utilizar questionários de rastreamento, especialmente nas consultas de rotina dos primeiros anos de vida. Esses instrumentos ajudam a identificar crianças com maior risco para TEA, mas não substituem uma avaliação clínica detalhada.
Quando a triagem aponta sinais de alerta, o próximo passo é aprofundar a investigação e, quando indicado, encaminhar a criança para uma avaliação especializada e para intervenção precoce.
Quando procurar uma avaliação?
Vale buscar orientação sempre que houver preocupação com o desenvolvimento da criança, especialmente diante de atraso na fala, pouca interação social, perda de habilidades, comportamentos repetitivos ou dificuldades importantes de adaptação.
Na maioria das vezes, a avaliação não confirma o diagnóstico de TEA. Ainda assim, ela pode identificar outras condições do neurodesenvolvimento ou tranquilizar a família quando o desenvolvimento está dentro do esperado.
A triagem de autismo com pediatra deve ser encarada como uma ferramenta de cuidado. Quanto mais cedo eventuais dificuldades são identificadas, maiores são as oportunidades de oferecer o suporte necessário para que a criança desenvolva todo o seu potencial.


